segunda-feira, agosto 8

UM ÍNDIO


Maria Bethânia 

Um índio descerá de uma estrela colorida e brilhante
De uma estrela que virá numa velocidade estonteante
E pousará no coração do hemisfério Sul da América
Num claro instante
Depois de exterminada a última nação indígena
E os espíritos dos pássaros
Das fontes de água limpa
Mais avançada que a mais avançada das mais avançadas
Das tecnologias

Virá
Impávido que nem Mohammed Ali
Virá que eu vi
Apaixonadamente como Peri
Virá que eu vi
Tranqüilo e infalível como Bruce Lee
Virá que eu vi
O axé do afoxé filhos de Gandhi
Virá

Um índio preservado em pleno corpo físico
Em todo sólido, todo gás, todo líquido
Em átomos, palavras, alma, cor
Em gesto, em cheiro, em sombra, em luz,
em som magnífico
Num ponto equidistante entre o Atlântico e o Pacífico
Do objeto sim resplandecente descerá o índio
E as coisas que eu ja sei que ele dirá, fará
Não sei dizer assim de um modo explícito

Virá
Impávido que nem Mohammed Ali
Virá que eu vi
Apaixonadamente como Peri
Virá que eu vi
Tranquilo e infalível como Bruce Lee
Virá que eu vi
O axé do afoxé filhos de Gandhi
Virá

E aquilo que nesse momento se revelará aos povos
Surpreenderá a todos não por ser exótico
Mas pelo fato de poder ter sempre estado oculto
Quando terá sido o óbvio
Virá

Um comentário:

Alana S. disse...

quero esse índio. hauheuhoihae
cara, esse final me deixou pensando aqui. "pelo fato de poder ter sempre estado oculto, quando terá sido óbvio".
será que realmente os povos indígenas só conseguirão ser tratados com dignidade quando totalmente dizimados?

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