quarta-feira, março 9

Tempo da Mulher

Vivemos num período de novidades. De coisas que ainda não se viu com plena dispersão popular. Por exemplo, a arte com toda a sua envergadura crítica têm ainda sido interpretada com preconceito e imaturidade. Mesmo com essa contradição do Novo e o presente atrasado, existem boas condições de que ainda mais mudanças possam ocorrer. Grandes reformas políticas e cientificas são ensaiadas.

A atualíssima lei Maria da Penha que garante tanto a mulher quanto ao homem proteção contra violência doméstica e mesmo entre cônjuges de modo geral, é um exemplo da modernidade rompendo com aspectos arcaicos da cultura presente. A lei parece, no entanto, estar à frente de seu tempo, pois as mulheres muitas vezes negam esse direito e permanecem na cultura tradicional de submissão.

A tradição sexista de imposição da opinião masculina sobre a mulher e as obrigações cotidianas divididas de forma abrupta e preconceituosa tem de todo modo sendo criticadas e abrindo espaço para novas formas de organização familiar. Discussões não apenas em relação à violência e obrigações sexistas tem surgido, diversos outros campos tem se discutido.

Essas mudanças são tão “chocantes” para nossa atrasada sociedade que alguns classificam como sendo o Apocalipse previsto na Bíblia Cristã - momento em que o Mundo se acabaria pela volta de Cristo a terra. O que um dia se chamou de racional tem hoje realmente sido criticado e realizado mudanças sociais, seja pelo acumulo de conhecimentos ou pela simples vontade de mudança da sociedade. Não são potencias para uma revolução, mas simbolizam um novo recomeço.

A criação de novas tecnologias no ramo da comunicação visual e virtual tem ampliado a compreensão humana de seu significado e potencial. Muitos acreditam que os limites já foram dissecados ao máximo, outros que se trata apenas de um começo. O que há de mais revolucionário ainda esta por vir. 

Mesmo com diversos campos do saber social e cientifico sendo reformulados e com todas as mobilizações pelo Mundo, ainda existe a cultura machista de dominação. Mesmo os jovens que se acham tão revolucionários muitas vezes são os mais tradicionais que existem. Não aceitam novas culturas e alguns têm repulsa pela mudança. Esperam dos outros e repetem a hipocrisia do faça o que digo, jamais o que faço.

Em meio à desorientação do que significa o novo, muitos utilizam termos pejorativos para classificar o que não aceitam, gostam ou respeitam. Dessa forma o que é bom se torna ruim e o que é ruim se torna bom, sempre com fins escondidos e ideologicamente manipulados. Quase sempre com ideais de dominação e segregação social.

Ainda sabemos distinguir o que é perfeito apesar das diversas criticas ao que nos é apresentado como sendo o melhor. Tem se aprendido que o perfeito nem sempre é o melhor ou o mais adequado, trata-se de um momento histórico e social dentro de um determinado contexto para habilidades especificas. É dentro dessas circunstâncias que se define o que é perfeito. O prazer nem sempre ocupa status de perfeição por conta de sua variação pessoal e cultural. Exemplificando de forma genérica e pratica. O prazer da mulher em relação ao homem em algumas culturas são bem reduzidas. O homem quase sempre é privilegiado no sexo; sempre goza antes e mais rápido.
  
Mesmo com algumas intervenções profundas a sociedade não mudou em essência. Ainda existem ricos e pobres em demasia e o poder tende a permanecer na mão de poucos. O ciclo da vida se repete quase que automaticamente, nascem, crescem, reproduzem e morrem. Todos se sentem úteis por essa normal e tradicional contribuição a sociedade.

De repente o reflexo das mudanças maiores ainda esteja por vir. O período de tempo em que as grandes alterações se forjaram foi muito curto. Por conta disso a malha social ainda esteja se organizando para se adaptar com mais aconchego. Ainda não se pôde decidir com toda certeza aonde vai se assentar o prumo das coisas.

De fato vivemos o resultado de decisões passadas, quando se optou por um modelo de sociedade Greco-romana certamente algumas alterações não eram esperadas no seio da sociedade. Algumas atitudes comuns a Grécia Antiga, como o relacionamento homo afetivo tende a se espalhar e se popularizar, tal como a participação popular na política e a crença em um deus que se adéqüe a Sociedade e não o contrário.

A imagem da mulher ainda cheia de senso machista tem se aglomerado em pontos de discussões de mudança. Muito se ouve de independência feminina e de que nem sempre é preciso que um complete o outro, e sim que vivam de igual acordo. Sem que a figura do homem pese mais que a da mulher ou vice-versa.  

2 comentários:

Alana S. disse...

Uma vez minha vó me disse que um sinal da "perdição" do mundo era uma realidade em que as mulheres queriam ser como os homens. Àquela época eu achei que isso fosse uma manifestação feminina de machismo, mas pensando agora, ela tava certa. Um mundo em que, para serem aceitas, as mulheres precisam ser iguais aos homens, é realmente um mundo perdido. Achei muito legal o texto, para mim captou perfeitamente a essência de que, sendo iguais como seres humanos, pessoas de sexo diferente não precisam ser iguais como pessoas para serem aceitas. A mulher não tem que ser igual ao homem, tem que serr mulher e respeitada como tal, não por se assemelhar ao masculino. ótimo texto, parabéns!

Alan Ricardo disse...

Ah, ao ler seu texto é,completamente e constantemente, levar um banho de água fria.Como é lastimável perceber que mudanças veem, mudança vai, e nada mudar, ou melhor, muda-se para não mudar nada.E quando ocorre algumas metamorfoses- e isso é muito raro- são moleculares, para usar a expressão de Gramsci.Ainda existe a sociedade de classes, ainda existe a dominação, ainda...... Só resta- e a única esperança que temos- esperar quando tudo isso vai terminar ou não.

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