sexta-feira, agosto 27

Cavaleiro Moderno.

Mulher idiota não me olhe desse jeito. Atitude medonha, parece até que não gostou. Sempre soube o que iria encontrar comigo e tenho certeza não se decepcionou. Com esse cigarro aceso parece uma drogada daquelas que se acha na esquina de uma segunda feira às 2 da manhã, caminhando ou parada, e ainda se pode sentir o perfume aplicado no começo da noite anterior.

Não se deteve nem concedeu a seu pai voto de razão quando ele disse que garotos do meu signo social não são um bom partido para a vida toda. Nunca neguei que ao invés de um cavalo branco tenho uma moto prata reluzente lustrada de caveiras e ossos. Mulher sem rumo. Gosta de ser o que é. Sempre soube quem sou.

Sempre soube que sou perigoso. Jamais escondi minhas intenções. Nunca esconde que me misturo com o sujo e o mal lavado, mas você não resistiu. Me provocou com suas quase roupas. Te usei da mesma forma que você me usou. Gosei em você e você em mim. Trocamos nossos corpos numa relação instintiva. Nos unimos de uma forma extra-sensorial.

Poderia não parecer quando tu morava em um só lugar, mas você sempre foi uma feminina que não tem medo do escuro e não se surpreende com o que pode encontrar por lá. Uma eterna sedenta de prazeres carnais. Aparenta medo do desconhecido. Se diz gentil, calma e refinada. Mentiu e continua a mentir quando alega ser gente normal.

Te carreguei de carona. Lhe garante toda proteção que os braços de um homem podem dar. Timbrei sua voz azul e seu rosto camaleão. Seus olhos grandes se arregalam ainda mais quando demonstro que ainda não me cansei e quero mais, posso mais. Sua bunda nessa meia. Seus seios e meu sangue quente sempre nos conduziram a atos de performance e adrenalina prazerosa.

Sempre gostei de sua modernidade, de quando você faz novas amizades que concordem com as regras de nossas cerimônias a céu aberto a divindade chamada: Vida. Suas rendas e sedas reluzentes tem o poder clássico de fazer qualquer pessoa te desejar profundamente.

Nunca tivemos uma rotina declarada. Nossa casa sempre foi o escuro das matas e o chão convertido em pó seco, pelo sol intenso dessa parte do planeta Terra. Hotéis vagabundos de beira da estrada, cachoeiras estranhas e árvores fantasmagóricas foi nosso abrigo em tempos ociosos.

Acreditava e tenho certeza, você nunca foi inocente. Apenas se formatou condizente com o meio social que lhe cobrava uma postura clássica. Depois de me ver rasgou suas vestes civilizadas, pegou meu capacete mortal e partimos para onde o sol se escondia; bem depois do além.

Escondeu seus sonhos e pensamentos mais medonhos até que me encontrou e soube que posso ser o seu refugio. Nas noites escuras e nos dias de sol aberto, comecei a estar do seu lado. Sei bem que você acabou descobrindo cálices e bebidas vindas do inferno imaginário. Venerou o couro e festas amigáveis. É isso o que penso de você.

3 comentários:

Diogo Damasceno Pires disse...

Que aventura, ufa!... me deixou sem fôlego...rsrs... Quisera eu, colocar em minha garupa, os amores que ainda terei na vida!

JD - João Damasio disse...

Good, boy!

Ler esta narrativa poderia agradar Elizaete! Néh!
Ou não..

Deve ser bom, às vezes, ser este cavaleiro moderno.

Jorge Anderson disse...

Poxa, fico muitissimo alegre ao ver seus comentário no meu blog.

Isso passa confiança a mim.

Muito grato!

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