domingo, outubro 11

Pensando no que temos sido atualmente.

O termo “Século 21” tem sido usado para explicitar que vivemos em outro momento social, ambiental e político, ou seja, o mundo evoluiu. Algumas coisas mudaram, outras nem existem mais. Novos cosméticos, remédios e métodos prolongam a vida e fazem com que o corpo tenha mais tempo de vida. Os meios de transporte e de comunicação evoluíram de forma assustadora, as pessoas viajam para o outro lado do mundo em questão de 24 horas num conforto imenso. Pode-se ver e conversar com uma pessoa querida que esteja a milhares de quilômetros de distância. Isso é fantástico!

Líderes políticos aparecem do nada, outros fazem coisas antes tidas como ameaçadoras do bom senso, da mesmice pra se falar a verdade. Pessoas de todos os jeitos existem hoje. Algumas usam o cabelo azul, se vestem de bailarina e vai ao banco pagar um boleto. Outras usam piercing, manta, capuz e roupa de couro ativamente. É lógico que o senso de “comum” ainda permanece. Um caso curioso é o de alguns gays que param no processo de efeminação do corpo, alguns fazem a sobrancelha, permitem que o cabelo cresça, tem trejeitos femininos; alguns se transformam em mulheres outros ficam no meio do caminho, por assim dizer.

Mesmo com toda essa diversidade de expressão, algumas pessoas não se encontram e acabam por se tornar introvertidas e deprimidas. Outras não sabem bem nem o que são ou que querem dizer com o que se mostram ser. Estão perdidas na busca por si mesmos ou não sabem o que são o que pretendem com o que vestem ou dizem. A impressão que se tem, por mais que toda essa liberdade de expressão tenha se tornado possível é a de que a fortificação e solidificação de estereótipos se fortaleceram ainda mais.

É no mínimo inusitado e um tanto incompreensível essa questão. Chega a ser contraditório. Mas é o que se vê. Pois as pessoas têm cada vez mais medo de serem o que realmente são ou pensam. Seja pelo motivo que for: estratégia, marketing, sociabilidade ou mesmo medo do que vão achar. Muitos chegam a dizer que não são exatamente o que são, ou seja, não almeja ser outra coisa que não seja. Será mesmo?

Neste ponto tenho que retornar ao termo “Século 21” que defende uma visão evoluída e mutável da sociedade material e social na atualidade. Como as pessoas podem ser elas mesmas se existem um governo e toda uma política que lhes fazem ser o que elas são. Feche os olhos e se imagine. Esqueça-se de que teve pais, ou qualquer outro vinculo com essa sociedade. Você consegue ver alguma coisa? E se vê, é igual ao que você é hoje?

Não ache que você esta livre das influências ou que se encontrou sem ser preciso saber o que você realmente você é. Sei que posso ter sido um pouco complexo nos parágrafos anteriores, mas dei tantas voltas para afirmar que ainda somos primatas, egoístas, etnocêntricos, sem autodomínio, que vivem para os outros e não para si próprio, racistas e muitas vezes idiotas.

Achar que porque vivemos no século 21 estamos na melhor época que poderia viver é besteira e etnocentrismo. Se pudesse escolher em que época ter nascido, provavelmente teria escolhido viver num momento da História onde a vida fosse mais viva e as pessoas não fossem tão falsamente falsas. Um período curto onde a vida não fizesse de conta que o que vivo atualmente é o melhor existente, que não careça de mudança ou se ache perfeitamente belo e perfeito.

As pessoas estão se padronizando por si próprios, se alienam e xingam os outros de alienados. São como um cavalo que acha que é um pássaro, que voa que tem asas e penas.

2 comentários:

Jornalista Descaradamasio disse...

Ótimo texto, digno de publicação em grandes meios... ops... grandes meios (de publicação em massa) hoje em dia são pra publicações um tanto ignorantes neh.
O texto ta no lugar certo, no 'underground', no blog de um grande pensador que viaja constantemente e consegue relatar essas viagens de forma impressionante.

Só vou te combater quando vc "escolhe em q época viver". Estamos onde temos que estar (tempo e lugar), não há como mudar, portanto, não adianta nos 'arrependermos' de estar aqui. Temos que mostrar que somos! Simplesmente. Mesmo que nos enganemos com o "ser" que nos tornaremos. Mas temos que tentar "ser intensamente". E buscar o que acreditamos.

Ótima reflexão e muito bem articulada!
Parabéns mais uma vez escritor Adenevaldo!

ass.JD.

Diogo Damasceno Pires disse...

Que bom ter acesso a grandes idéias! Seus escritos estão cada vez melhores e bem articulados, caro amigo! Iria dizer que vc tem futuro, mas já me corrijo de imediato, pq vc tem presente e muito ainda para poder compartilhar conosco.

Abraços de sempre, Diogo.

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