quinta-feira, março 10

Como escapar de um assassinato?





Você já se perguntou? Como escapar de um assassinato? Sinceramente espero que não. Mas esse é o título da série de televisão estadunidense, do original em inglês “How to Get Away with Murder ?”. A trama se desenvolve em torno da vida pessoal e profissional de Annalise Keating, uma professora de Direito Penal da fictícia Universidade de Middleton, na Filadélfia, uma das mais prestigiadas Escolas de Advocacia na América.


Na série, a primeira aula de Direito Criminal com Annalise começa com a pergunta chave: "Como Se Livrar de Um Assassinato?". A aula começa com ela dizendo que para isso, primeiro é necessário desacreditar a testemunha. Depois, introduzir um novo suspeito e por último, esconder as evidências. A advogada de defesa criminal tem poucas e disputadas vagas para estudantes em seu escritório, um dos mais concorridos da Filadélfia.


Como advogada de defesa, Annalise seleciona um grupo dos seus melhores alunos para trabalhar em seu escritório. Michaela, Wes, Laurel e Patrick são ambiciosos calouros de Direito da prestigiada academia onde apenas os melhores alunos podem participar de casos reais. Eles competem entre si para conseguir a atenção da carismática e sedutora Professora Annalise DeWitt, interpretada por Viola Davis. Até que um misterioso e complexo assassinato faz com que tudo mude.


Em sua vida pessoal, Annalise vive com seu marido Sam Keating, um renomado psicólogo, e mantém um relacionamento secreto com Nate Lahey, um detetive local. Quando as vidas pessoal e profissional começam a entrar em colapso, Annalise e seus alunos se verão envolvidos, involuntariamente, em uma complexa trama de assassinatos interligando a professora e seus alunos à cena do crime.


Tudo começa quando uma estudante é assassinada e sua amiga é acusada do crime, é quando Annalise entra em ação. O único problema é que a professora de direito e advogada de defesa não sabia que outro assassinato ia surgir. O mistério sobre os crimes é muito bem escrito. Nowalk dá pistas suficientes para que o espectador crie suas teorias e se mantenha interessado, mas mantém o segredo bem guardado até o fim da temporada, mesmo surpreendendo a cada episódio com novas informações bombásticas, dignas de série.


Com várias idas e vindas no tempo a série começa três meses depois, com o crime já tendo sido cometido, e aos poucos, vai chegando até o momento dos fatos para demonstrar os acontecimentos. Aos poucos o assassinato central toma conta da história e o suspense aumenta.


A série tem como protagonista uma mulher, negra e respeitada na advocacia com problemas amorosos. Viola Davis (indicada ao Globo de Ouro e ao SAG) trabalha de forma impecável, mostrando o lado sensível e malvado de uma mulher forte. Em uma linda cena, por exemplo, a advogada remove sua maquiagem e tira a peruca enquanto se debulha em lágrimas. Na cena seguinte, Annalise está recomposta e trabalhando com a altivez característica. Uma perfeita anti-heroína em ação.


Há também cenas de sexo gay filmadas com carinho e sem estereótipos. Algumas coisas podem incomodar. Nas aulas de Annalise somente personagens principais tem chance de falar e a advogada/professora se veste apenas com roupas escuras. Como um quebra-cabeças, os episódios vão se montando e fazendo sentido. E o grande acerto da série é não economizar nas revelações, pois, a cada episódio algo bombástico vem à tona.


Existe um equilíbrio entre suspense e dramas pessoais. Nesse ponto, Viola Davis se mostra uma atriz bastante flexível sem perder a qualidade. Na segunda metade da temporada ela volta com novo penteado, mas com os mesmos problemas. Em certo momento, Annalise tem que tomar uma decisão contra quem ama. Mesmo sabendo que foi o melhor a se fazer, ela se desespera com tudo que aconteceu e pede ajuda de sua mãe (Cicely Tyson), que chega para agitar as coisas. As duas conseguem comover quando em uma das cenas mais emocionantes da série, depois de brigarem, a mãe penteia os cabelos da filha e desabafa. Davis quase não fala, apenas chora.


Para além da série americanazada, superproduzida e viciante, existe a ideia transmitida pela história central de que é possível se livrar de um assassinato, bastando para isso contar com a estratégia certa e usar a lei ao seu favor. A trama desenvolve crimes complexos, mas deixa evidente a lógica dos tribunais, de que a verdade e a justiça são desdobradas e convertidas em fatos processuais e no apaziguamento dos conflitos sem se importar com a verdade real dos fatos.


A produção conta com Viola Davis, Jack Falahee, Aja Naomi King, Karla Souza, Matt McGorry, Liza Weil, Charlie Weber, Katie Findlay e Alfie Enoch nos papéis principais, em 30 episódios de 42min divididos em 2 temporadas. A séria atualmente está disponível na Netflix.


Este texto reproduz trechos adaptados das sinopses críticas de Carol Moreira do portal omelete.uol.com.br visualizados dia 28 de fevereiro de 2016.   

terça-feira, março 1

Grafite em Goiânia II























Incrível como o grafite se tornou uma arte urbana, colorida e expressiva, capaz de chamar a atenção de quem anda pela rua ou passa de longe.Esse tipo de expressividade antes era diretamente ligada a forma de pessoas marginalizadas se comunicar, hoje vem sendo usada para estampar vários espaços públicos e burgueses. Mesmo sofrendo alterações e adaptações o grafite continua instigando a interpretação de quem vê, variando temáticas e mantendo seus traços originais e autênticos, mesmo quando feitos por instintos subjetivos.As fotos foram tiradas de imagens reproduzidas na Praça Universitária em Goiânia. 

segunda-feira, fevereiro 15

Natureza da Mudança



 
Estamos vivendo e presenciando um momento de transição na História da sociedade. Direitos que são negados e outros que são cada vez mais exigidos. O protagonismo das mulheres, a liberdade sexual, práticas racistas e desastres ambientais são agendas que clamam por justiça há muito tempo. Talvez hoje estejamos assistindo o início da mudança, que apesar dos retrocessos legislativos recentes, não tem sido suficientes para matar a sede da sociedade por igualdade, solidariedade e respeito.

Mas resta indagar: para onde estamos indo? Onde essa mudança nos levará? Afinal de contas, que mudança estamos discutindo? Talvez seja mais urgente discutir a mudança que está acontecendo e o rumo que ela toma do que as próprias ideias utópicas de mudança. Todas as pessoas podem ver e entender a mudança, mas cada um enxerga de acordo com seus próprios interesses e personalidade. Querendo a mudança acontece, mas a quem ela tem favorecido?

Muitas pessoas cheias de inspiração e ânimo protagonizam momentos de liderança e libertação que apesar de emocionantes, nada ou muito pouco conseguem alterar. Certas mudanças, se feitas sem respeitar o tempo e a própria realidade que deseja mudar, certamente estarão fadadas a serem controladas pelo que deseja mudar. A mudança capaz de mudar realmente exige antes o entendimento e conhecimento do que se deseja mudar.

Embebidos no próprio mal que queremos ver, entender e vencer, muitas vezes acabamos fortalecendo e expandindo mudanças que não mudam de verdade. Algumas mudanças só carregam esse sentido no nome, porque na prática só servem para realçar características e situações que esperava ter eliminado. Por isso é preciso cuidado sobre a mudança que você defende e deseja ver implantada.

Certas mudanças são naturais e inquestionáveis, mas a maioria das mudanças quem faz é o ser humano. E mesmo que não se deseje mudança alguma, o mundo continuará girando e certamente teremos que nos adaptar para sobreviver. Mesmo assim é direito de toda pessoa fazer sua escolha antes que seja escolhido e a partir disso, definir de qual mudança deseja fazer parte: a que muda de fato ou a que muda somente a embalagem.

No enfoque das mudanças produzidas pelo homem, existe uma divisão bastante clara da mudança que certos grupos querem para o mundo. Os movimentos sociais, militantes e ativistas desejam fazer a mudança e se esquecem que planejam mudar o mundo dentro do próprio mundo que desejam mudar. Já os empresários, bancários e políticos apesar de inovar, nada mudam, troca-se de visual, mas as estruturas continuam as mesmas.  

A verdade é que a mudança tem perdido seu efeito sobre as ações humanas. Mudamos e mudamos, mas continuamos os mesmos. Convivendo com medos, manias e hábitos que apesar de reconhecidamente burros, existem desde o início dos tempos e dominam nossas práticas cotidianas. A banalização do poder da mudança tem cristalizado convicções retrógadas e acostumado a mudar a aparência sem modificar as raízes dos nossos condicionamentos.            

As mudanças de hoje só poderão ser sentidas com o tempo. Talvez as coisas mais loucas sejam as mais lúcidas e as mudanças que pareciam catastróficas a solução. Da mesma forma que certas mudanças defendidas apenas reforçam o poder do que se deseja ver alterado. Quando não houver nenhuma dúvida ou insegurança da mudança que se deseja, tome cuidado. Grandes mudanças não começam com radicalismos e grandes certezas, mas sim com ideias simples e pequenos gestos.

quinta-feira, fevereiro 4

Narcos






Conheça a história de um colombiano popular e ousado que chegou a traficar cocaína para Los Angeles e faturar $ 420 milhões de dólares por semana e acumular uma fortuna estimada em $ 30 bilhões de dólares. Pablo Escobar, figura principal da série “Narcos” produzida pela Netflix, foi um homem que apesar da aparência populista, movimentou o mundo das drogas na Colômbia e causou conflitos internacionais com os EUA.

Estrelada pelo brasileiro Wagner Moura, produzida e dirigida por José Padilha (Também brasileiro e diretor do filme Tropa de Elite), a série reacendeu o interesse mundial na figura de Pablo Emilio Escobar Gaviria. Traficante colombiano da década de 1980 a 1990 que comandou e expandiu o Cartel de Medellín na produção de drogas, principalmente cocaína, sob diversos acampamentos escondidos debaixo da copa das árvores nas florestas tropicais do seu país.

A atração é apresentada pelo ponto de vista de um agente do DEA (Órgão do governo dos Estados Unidos que combate ao narcotráfico), que decide se mudar para Bogotá investigar e finalizar o negócio criminoso de Pablo Escobar. A investigação começa depois que Escobar começa a transportar toneladas de cocaína através de um jatinho para Los Angeles, causando um verdadeiro problema de saúde pública com o surgimento de assassinatos, overdoses e mortes de jovens, além da enorme evasão de dólares americanos para a colômbia através do tráfico internacional.

No auge do seu império exportador de drogas para os EUA, sem ter onde guardar ou investir todo o dinheiro arrecadado com o tráfico, Escobar chega a enterrar e mapear milhões de dólares em suas propriedades no campo. Mais tarde a revista Forbes colocou seu nome entre os mais ricos do planeta. A série apresenta Escobar nas suas principais facetas: de impiedoso traficante e homem de família que deseja ajudar o povo. Seus interesses políticos e o apoio popular chegaram inclusive a indicá-lo como figura presidencial do país, o que mais tarde se mostrou inviável, justamente pela natureza criminosa de suas atividades.         

A falta de fluência em espanhol do ator Wagner Moura foi uma observação bastante comentada por quem já assistiu a série. A produção também foi criticada por não estabelecer um roteiro definido nos primeiros capítulos, se trata de um documentário dramático ou romance. A equipe do G1 em matéria comentando o sucesso da série, acrescentou que apesar de boa, a série não tem o mesmo ingrediente viciante característico das séries da produtora.   

A série foi produzida como parte de uma parceria entre a Netflix e a Gaumont International Television e apresentou a vida de Pablo Escobar com atenção na produção e comercialização de drogas no continente americano. A produção chega a esclarecer algumas obscuridades do tráfico de drogas com cenas que vão desde a plantação da coca até o preparo da cocaína, ou ainda de Escobar plantando ou fumando maconha. Outro ponto chamativo da trama é o apoio que a população dá ao traficante quando o DEA tenta prendê-lo, a atuação americana era vista como intervenção nas questões nacionais internas.

A bem da verdade, a pobreza e a corrupção tornou o próprio Estado colombiano e sua polícia ineficazes frente ao poder de capital levantado por Escobar. Com o passar dos anos ele conseguiu controlar todos os aspectos necessários para proteger seu negócio das interferências e exigências legais. Talvez por essas nuances contraditórias ou pela falta de um estilo cinematográfico definido, a série acaba permitindo uma análise tanto do personagem, quando do próprio contexto político social do país naquele momento, o que faz valer a pena assistir.    

A série Narcos é um incômodo para Sebastian Marroquín, filho do legítimo Pablo Escobar que deu declaração à Folha de São Paulo, alegando que os responsáveis pela produção usaram a imagem de seu pai sem que a família consentisse. "Queria saber do senhor Padilha como ele reagiria se eu escrevesse uma história da vida dele sem ele saber", provocou o colombiano radicado na Argentina. O diretor rebateu as críticas.

A segunda temporada da série foi confirmada pela Netflix e deve estrear em 2016, a primeira série já está disponível e tem 10 episódios.

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