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segunda-feira, agosto 1

O que Significa ser Gay



 
Incrivelmente o significado das palavras continua em disputa. Mesmo que regularmente o vocabulário atualize expressões e palavras, o significado que certas palavras adquirem no sentido prático é constantemente utilizado com mais de um objetivo, demonstrando uma tentativa de distorção e o jogo de poder existente sobre algumas palavras. Essa distorção e a capacidade mutante que certas palavras adquirem com o passar do tempo, demonstra entre outras coisas, os conflitos e as competições ideológicas que tem tentado dominar a opinião pública.

Dessa forma, tem crescido de forma assustadora o emprego errado, supostamente conotativo, ligado a algum sentido depreciativo, que a palavra gay tem adquirido. Além da histórica negação e invisibilidade que a homossexualidade teve e continua tendo, em razão do preconceito assombrado pela religião, existem diversas práticas negatórias preconcebidas, cativadas como traço cultural. Os interesses comerciais e políticos se aproveitam dessa segregação, fragmentando e alimentando ainda mais o estereotipo do homossexual dentro da sociedade e influenciando pessoas principalmente através da mídia.

O resultado mais direto de toda essa corrida pela desqualificação, de uma característica natural no ser humano e diversas outras espécies vivas, é a completa distorção sobre quem são ou como deveriam ser as pessoas homossexuais. Espaços segregacionistas que estipulam ambientes destinados a convivência de quem não se encaixa. Contudo, numa tentativa de origem ainda incerta de mudar essa concepção determinista sobre quem são as pessoas homossexuais, é que o termo gay ganhou destaque.

Talvez pelas diversas conotações que lembram um comportamento alegre, de vivacidade, associado a pessoas assim, é que o termo gay é geralmente usado com o mesmo significado de homossexual. Em comparação com a repressão observada em determinados lugares e em tempos remotos, a coerção e marginalização de pessoas gays na atualidade do início do século XXI, diminuiu bastante, mas ainda está muito distante de uma atenção realmente coerente com a realidade presenciada na sociedade.

Muitas pessoas gays não querem se quer serem identificadas. A maioria não se sente segura admitindo suas preferências ou experiências de vida, com medo da exclusão ainda praticada e repetida em muitos círculos sociais. Vivemos num momento histórico em que ainda é colocado como opção, ou simplesmente como rebeldia inócua, a identificação gay, sem que se tenha consideração por toda a história, e seja realmente exercitado o sentido humanitário e racional das religiões ou buscado pela política.

Por algum motivo aparentemente imperceptível, cresce também um tipo de concordância em relação às práticas normais para cada grupo. Como se fosse possível escalonar e preconceber comportamentos íntimos e de amor, observados na história humana, de forma dada ou prefixada ou determinada antes mesmo de atingir consciência de si ou do outro. Existem muitos sentidos sendo agregados a palavra gay, fazendo perder sua originalidade que remete a um espírito integrador de relações homo afetivas e sexuais na sociedade.

Não é preciso que só as pessoas gays lutem por um sentido libertador e digno para a palavra, mas que todas as pessoas sejam capazes de compreender o necessário respeito (Muito mais que tolerância) a essa realidade que sempre esteve presente, mas sempre em situação de invisibilidade. Existe todo um universo desconhecido que quebra totalmente as concepções morais de gênero e sexualidade, demonstrando que existe muito mais elementos identitários que são ignorados e marginalizados. Sem ser capaz de estabelecer pontes com o diferente, a sociedade caminha para uma vontade padronizadora que violenta e submete o que ela não entende.

Existem gays de todas as cores, em todas as profissões, de vários jeitos, não dá para chegar em algum consenso sobre quem são ou como deveriam ser, são apenas pessoas tentando ser felizes. E ainda que a sociedade permaneça ignorando um tratamento justo e digno a essas pessoas, isso não vai fazer cessar a importância e relevância do assunto para uma sociedade fraterna, igualitária e solidária. É preciso cada vez mais resistir ao conceito que é enfiado goela abaixo sobre pessoas e pessoas gays, a vida não cabe numa salada de letrinhas com significados claramente definidos.             

quarta-feira, julho 20

Unidos Somos Fortes



 
A chamada civilidade organiza a sociedade por regramentos que comprometem hábitos e condutas, criminalizando o ócio e a diversão, eliminando as possibilidades de expressão e liberdade numa tentativa de assegurar a igualdade entre todos. Mesmo com todas as limitações impostas pelos ordenamentos sociais e morais, persiste na natureza humana o ímpeto da rebeldia, da contradição e da diferença. Se socialmente somos obrigados a seguir determinados regramentos em nome da paz social, coexistem diversas possibilidades de quebrar esses ambientes de esterilidade e padronização.

E é justamente nos espaços onde mais somos pressionados pela ordem social que podemos reverter as bases da imposição. A rua é o maior signo da manifestação pública e oferece às coletividades a possibilidade de subversão da ordem imposta toda vez que é ocupada. Quando reunidos entre semelhantes o que era proibido se torna permitido, passando da ilegalidade para a total visibilidade social. As festas, manifestações e outras atividades realizadas nas ruas são capazes de criar verdadeiras bolhas dentro do ordenamento social, permitindo que novas liberdades aflorem.

A capacidade de inflar a chamada ordem mundial/local estabelece um verdadeiro universo paralelo entre a esterilidade da vida normal e a pluralidade da diversidade. Toda vez que acontece uma festa de rua, instala-se a possibilidade da coexistência pacifica entre os diferentes, ao mesmo tempo em que os riscos de contravenções aumentam. Da mesma forma que uma coletividade é capaz de coagir e impor determinado comportamento, outra coletividade também é capaz de usar estrategicamente os espaços públicos para se expressar livremente.

Quando surgem essas bolhas dentro da sociedade, significa que marginalizados e excluídos podem finalmente ocupar os espaços protegidos e frequentados pelas classes sociais privilegiadas. A antiga máxima de que a coletividade faz a força pode, nesse caso, até mesmo contrariar a afirmação de que a qualidade supera a quantidade. Talvez esteja falando de termos que não podem ser incluídos na mesma frase pelos seus sentidos discordantes, mas o que realmente importa, é perceber a força que temos quando permanecemos juntos por uma mesma causa.

A desregulação causada pela força coletiva pode favorecer o aumento da imposição, da mesma forma que pode potencializar a pluralidade das liberdades. Se a união faz a força, ela também pode motivar a continuidade e reforma das estruturas de imposição e coerção ou provocar uma revolução. Toda vez que formos confrontados pela força de um grupo unido, seremos igualmente obrigados a prestar atenção nas suas compreensões e explicações da vida. Pelo bem ou pelo mal, toda coletividade unida é capaz de favorecer espaços de poder e reflexividade.   

segunda-feira, maio 2

Transgressão de ser eu






Eu vou falar
Por mais que isso te incomode
Que você tenha suas próprias ideias
Minha boca não permanecerá fechada

Não vou obedecer
Eu preciso de muito mais para viver
Porque a morte já me espera na esquina
E mesmo para os prudentes existe limite

Nem me importa sua cara feia
Suas críticas sem razão
Seus apelos emocionados
Sua cara zangada a se contorcer

A vida é minha
Por isso mesmo tenho que responder
Ao que incomoda meu jeito de ser
Me violenta por eu não poder fazer

Preciso bradar
A agonia dos preconceitos
Dos estereótipos
Das mortes silenciosas

Nem por isso preciso desacatar
Primeiro fui eu a ser massacrado
Agora só pretendo subverter
Esse respeito discriminador

Apontar esse bem convertido de mal
Esse amor mentiroso e odioso
Desmascarar minhas mascaras
Transformar a realidade pela verdade 

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