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terça-feira, novembro 15

Gotham



 
Todos conhecem ou já ouviram falar sobre a estória do Batman, único super-herói da editora em quadrinhos norte americana DC Comics sem superpoderes, justiceiro vestido de morcego que também encarna o badalado empresário da Wayne Enterprises, na violenta Gotham City, mas muito pouco foi contado sobre sua infância. A forma como terminou de ser educado pelo seu mordomo Alfred até então seguiu um mistério, para isso a nova franquia formulou uma versão que tem chamado a atenção. Seguindo a esteira das grandes produções, a megaprodução conta com um grande time fazendo com que cada episódio tenha o mesmo tratamento dado a filmes. 

O protagonista, diferente do esperado, permanece centrado no detetive Gordon, destemido policial que luta arduamente para promover justiça e limpar a delegacia da corrupção, mesmo que isso termine gerando antipatia frente aos seus colegas de trabalho. Sua missão é colocar a perigosa cidade de Gotham em ordem, combatendo o crime e diversos chefões do tráfico que comandam as zonas da cidade. Durante sua empreitada ele contará apenas com a ajuda do seu parceiro - detetive Bulloc - um típico policial fanfarrão consumido pelo sistema.  

A antiga cidade retratada em diversos quadrinhos, cenário da infância do então adolescente Bruce Wayne, permanece com a mesma aparência melancólica e selvagem para quem já acompanha a saga Batman. As dificuldades e os problemas da cidade são os mesmos que assolam a maioria dos grandes centros urbanos enfrentam, a diferença é a grande insatisfação da população que se sente livre para fazer justiça com as próprias mãos e cometer outras diversas ameaçadas ao bem comum. Essa mesma atmosfera atordoada e de ineficácia das instituições públicas, faz com o próprio hospício da cidade use os pacientes em secretos experimentos científicos.  

Talvez por haver crianças contracenando, os personagens, mesmo os mais cruéis, ganham um toque sedutor, mas bastante previsíveis junto com cenários extremamente visuais variando ora entre ambientes bucólicos, ora entre breves engodos sentimentais com direito a pares românticos e falas que mais parecem provérbios de sabedoria ou pura instrução ao cumprimento do dever. Já em sua segunda temporada a série conseguiu adaptar melhor o roteiro, sempre cheio de novas revelações, à estética e tradição dos quadrinhos com muita aventura em brigas e disputas sangrentas.

quinta-feira, setembro 22

Orphan Black



 
O primeiro clone que se tem notícia aconteceu no ano de 1997 da conhecida ovelha Dolly.  De lá para cá a ciência se desenvolveu de forma acelerada. “ Em 2006, o cientista Severino Antinori declarou, a despeito de todas as discussões éticas e legais, ter feito três clones humanos em 2003 que, segundo ele, viviam muito bem no Leste Europeu. A notícia chocou o mundo e levou muita gente a considerar a realidade desses indivíduos, cópias genéticas exatas de uma matriz desconhecida para eles. ”[1]
 
A série de televisão canadense Orphan Black, que significa numa tradução aproximada para o português algo como “Órfão Desconhecido”, explora as hipóteses mirabolantes em torno da clonagem humana. A estória gira em torno de um laboratório que teria criado clones humanos com propósitos experimentais e comerciais. 

A trama inicia quando Sarah Manning assume a identidade de outra pessoa, idêntica a ela, que comete suicídio saltando na frente de um trem enquanto ela passava. Inicialmente Sarah pretendia resolver seus problemas financeiros e despistar o namorado violento, para então retornar a sua antiga identidade, mas começa a se dar conta de um mistério muito maior quando encontra outros clones iguais a ela.

A identidade assumida por Sarah pertencia a detetive de polícia Elizabeth Childs, antes de cometer suicídio ela conheceu outros clones e passou a investigar a conspiração. Aos poucos Sarah começa a entender parte dos problemas que Beth (Elizabeth) estava passando e toda a importância de saber tudo o que ela já havia descoberto. Informações que poderiam inclusive ter ligação com seu suicídio quando se jogou na frente de um trem.

Na segunda temporada, a filha de Sarah, Kira, termina desaparecendo o que dá início a uma corrida de Sarah, ainda usando a identidade de Beth, para encontrá-la. Durante essa aventura, aos poucos outros clones começam a surgir revelando segredos ocultos. Aos poucos Sarah se vê em meio a outras pessoas clones idênticas, mas com identidades e particularidades totalmente diferentes. Neste momento ainda existem poucas explicações e a a trama começa a apresentar maior complexidade e atrair o interesse do espectador.

O roteiro é bastante intenso e mistura dois elementos centrais: informações e conhecimentos científicos sobre clonagem humana e os dilemas da natureza humana em relação ao bem e ao mal. Problemas recorrentes em todas as culturas quando se trata das relações familiares, do comportamento pelo dinheiro, pelo poder e os vícios. A série também aborda questões como sexualidade, diversidades humanas e conspirações científicas com aspirações econômicas.      

O programa já está na quarta temporada e tem como protagonista a atriz canadense Tatiana Maslany que interpreta mais de 10 personagens, todos clones de uma mesma pessoa. Esse é um dos aspectos que mais chama a atenção, ou seja, como uma única atriz é capaz de assumir papeis tão diversos no jeito de falar, se vestir e se comportar. Ao mesmo tempo em que chama a atenção pela variação de clones que só aumenta com o decorrer do show, a terceira e a quarta mudam o foco para questões mais particulares como os dilemas pessoais que cada personagem passa com o decorrer da trama.                  


[1] Henrique Haddefinir. Orphan Black - 1ª Temporada | Crítica: 2003 Link: https://goo.gl/kwRJHj

quinta-feira, junho 2

Laranja é o Novo Preto



 
A série de enorme sucesso do original “Orange is The New Black” retrata a rotina de uma prisão feminina nos Estados Unidos. As cenas se passam na prisão de Lichfield onde a protagonista Piper Kerman começa a cumprir sua pena por participação no crime de comércio de drogas ilegais que a antiga namorada lhe influenciou a participar. No início, as cenas se passam no tempo presente, antes dela entrar na prisão.

O título da série faz menção ao uniforme das detentas que tem a cor laranja. Depois que entram na cadeia começa a ser o pretinho básico de todas as presidiarias. Talvez numa análise mais ampla, o nome queira fazer menção a essa nova realidade em que o laranja, de tão comum, tenha substituído a clássica cor preta que traduz elegância e estilo aos visuais. E porque não dizer, que mais cedo ou mais tarde possa vir a ser o uniforme que outras mulheres possam usar em dado momento de suas vidas na prisão, de tão habitual essa realidade.  

Depois que começa a cumprir sua pena, Piper se dá conta dos privilégios que sempre teve durante sua vida e que a maioria das outras mulheres presidiarias nunca tiveram. De origem branca, com um estilo de vida classe média alta nova iorquina, ela começa a sofrer o preconceito dos privilégios que nunca antes tinha se dado conta. Além do choque de uma nova realidade como prisioneira, Piper começa a ter de lidar com aspereza diante da posição que levava fora da cadeia sem maiores problemas.

A dura rotina se passa entre serviços obrigatórios - que nada ou quase nada muda suas penas - e o cotidiano disciplinador e intimidador imposto pelo sistema prisional. O ambiente de selvageria presente na cadeia, o preconceito e o racismo, como já é conhecido pelo estereótipo comum, acaba formando grupos de resistência, de acordo com as diferentes identidades e exclusões - negras, latinas, lésbicas e etc. O que curiosamente reproduz os guetos de exclusão presentes na sociedade exterior.

Com um apelo humorístico e dramático, a série se desenvolve em torno de disputas e reviravoltas nos comandos internos entre as prisioneiras e da própria administração que enfrenta diversos obstáculos. Como já era de se esperar também existem privilégios e chefias dentro da prisão que mudam e se reorganizam na medida em que novas situações surgem. Administrativamente fica nítida a corrupção, as fragilidades de reeducação e segurança, além das disputas entre os próprios servidores prisionais.      

Acontece que depois da chegada de sua ex-namorada na prisão, Alex Vause, Piper enfrenta dificuldades no relacionamento com o até então noivo que desconhecia essa parte de seu passado. Essa reviravolta e outros contextos que acabam se desenvolvendo com o seu noivo, acabam por fazer os dois desistir do casamento. Mais à frente, Piper e Alex terminam reatando seu relacionamento dentro da prisão, o que também rende muitos problemas.

O lado dramático da série, se passa quando retratados pequenos fragmentos da história pessoal da presidiarias, o que de certo modo, tende a explicar parte do porquê de cada uma ter ido parar na prisão. Retratos de preconceito, racismo, exclusão, discriminação e muitas vezes problemas familiares e psicológicos dão o tom na maioria das histórias. O que não somente por isso, justifica os crimes e atentados já cometidos.

Com o passar do tempo, Piper começa a mudar seu comportamento de menina burguesa e ingênua, para um lado mais sério e sombrio. Também começa a perceber que fácil é entrar na prisão, permanecer viva, sóbria e sair, é que é o problema. As regras, as disputas com outras prisioneiras e o próprio sistema carcerário, favorecem com que as pessoas nunca se livrem da cadeia ou dos prejuízos sociais que ela causa. Além da protagonista, inúmeras personagens fazem a trama se tornar hilária e chocante em muitos momentos. A série tem 3 temporadas e a quarta está prevista para ser liberada esse mês na Netflix.

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