domingo, junho 3

A Idade do Céu


Não somos mais
Que uma gota de luz
Uma estrela que cai
Uma fagulha tão só
Na idade do céu...
Não somos o
Que queríamos ser
Somos um breve pulsar
Em um silêncio antigo
Na idade do céu...
Calma!
Tudo está em calma
Deixe que o beijo dure
Deixe que o tempo cure
Deixe que a alma
Tenha a mesma idade
Que a idade do céu...
Não somos mais
Que um punhado de mar
Uma piada de Deus
Um capricho do sol
No jardim do céu...
Não damos pé
Entre tanto Tic Tac
Entre tanto Big Bang
Somos um grão de sal
No mar do céu...
Calma!
Tudo está em calma
Deixe que o beijo dure
Deixe que o tempo cure
Deixe que a alma
Tenha a mesma idade
Que a idade do céu
Calma!
Tudo está em calma
Deixe que o beijo dure
Deixe que o tempo cure
Deixe que a alma
Tenha a mesma idade
Que a idade do céu
Calma!
Tudo está em calma
Deixe que o beijo dure
Deixe que o tempo cure
Deixe que a alma
Tenha a mesma idade
Que a idade do céu
A mesma idade
Que a idade do céu...
Artista: Roberta Campos


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terça-feira, maio 8

Diálogo da Pós-Modernidade




Param: - Ei Stev, penso em ficar louco. Que tal?

Stev: - Meu caro, a idéia em si, é ótima. Para qual motivo?

Param: - Não precisar mentir que sou normal.

Stev: [Risos] - Não será preciso, apesar de não admitir, já é visto como anormal.

Param: - Hora! Você sabe que há uma grande diferença, entre os outros acharem e eu confirmar...

Stev: - Meu ingênuo e pobre irmão secreto, não se engane, o que mudaria se acaso ficasse anormal? Ou louco?

Param: - Não percebe?

Stev: - O quê?

Param: - Vou me transformar!

Stev: - Em que e para que?

Param: - Serei meu subconsciente. Me transformarei nas pragas de Moisés. Em Adão antes de comer a maçã. Em Jesus e Felipe. Vou ficar endemoniado. Maria Madalena será minha mãe prostituta. Não vou mais falar em códigos e segredos, vou exercer e agir minhas falas. Tudo para que não haja mais nenhum personagem de minha parte.

Stev: - Que interessante. Muito bom, me parece até com um sonho.

Param: - Ora! É muito mais que um sonho, é realidade em sua mais abstrata materialidade.

Stev: - Cuidado! Existem símbolos e significados que não podem ser revelados. Idéias que não podem ser expressas com certas conotações e sentimentos que jamais podem se espalhar.

Param: - Sejamos toleráveis com a capacidade humana. Não me sinto como sou e tenho plena certeza que consigo me fazer entender sem haver confusão.

Stev: - Tomara que esteja certo. Não te quero crucificado.


domingo, maio 6

Intensidade



Há dias que a tensão chega ao topo

Vontade de amar

De me sacudir pelas esquinas proibidas dessa cidade careta


Sempre desejando algo a mais

Sempre a ensaiar um passo

Sempre com medo de encontrar


Esconder o lado podre

Esconder vestígios de uma vida proibida

Lado negro e obscuro capaz de trazer pra negritude a mais quieta alma

Planejar audacioso que se perde na ilusão do futuro

A analista diz que não acredita nas histórias


Calcular a força necessária para abalar o mundo

Caminhar por lugares desconhecidos

Soltar fumaças pelo escuro da noite

Exalar o remédio que sossega

Vagar pelos becos pichados da cidade a procura de um flerte


Arte que conduz a ataques de epifania

Face lisa e pálida que se esconde

Loucura que adormece

quinta-feira, abril 19

A insustentável leveza do ser



É estranho ou, até mesmo, ilógico se imaginar voando sem equipamentos construídos, tecnologicamente, pelo homem ( aviões, paraquedas, etc). Sem esses equipamentos, a ideia de voar é completamente descartada. Mas, como consenso geral, o ator de voar, é relegado a filmes e, não muito distante, as histórias em quadrinhos (HQs). Enfim, como se percebe, voar é transportado, artificialmente, para meras produções de cunho “fictício”. Voar, diga-se de passagem, em todos os casos, implica um sentimento de liberdade bastante aquém da condição humana? Fácil de perguntar, mas, difícil de ser respondido.

No entanto, deparamo-nos, cotidianamente, com situações que descortinam, por completo, toda esta concepção sobre o ator de voar. Pois, na verdade, podemos voar ( obviamente, não como os pássaros), mas de uma forma singular e extraordinária: pelo nosso ser. O voar, pensando nesta perspectiva, se apresenta de forma diferente, exige, como requisito básico, o desvencilhamento de nossos desejos mais profundos. Diante disso, duas perspectivas, geralmente contraditórias, se cruzam e se relacionam mutuamente: a leveza e o peso.

Dois polos tão díspares, mas, que, se entrelaçam na formação de nosso ser. Por isso, há, quase sempre, em nossas vidas momentos que ofuscam-nos, levando, a viver com o peso – lastimável ou prazeroso- de nosso ser. São, aliás, momentos de intensas realizações. Sentimo-nos, com o mais pesado fardo. No entanto, ele é suportável, pois, nos traz felicidade e, por hipótese alguma, queremos perde essa sensação gloriosa. Pensamos mais profundamente, e essencialmente, é esse peso inexorável que nos deixa mais próxima da terra, de nossas vidas e faz acreditar que somos humanos ( demasiado humano).

Mas, como pano de fundo, há momentos que o nosso ser fica livre desses fardos, o nosso corpo se torna mais leve que o ar. Já não ficamos presos a um corpo físico, como também, aprisionados pelos seus desejos. Voamos, nos distanciamos da terra. Alcançamos as nuvens laranjadas do crepúsculo que, como nós, estão ali temporariamente, podendo, a qualquer momento, se dissolver ou mudar de lugar. Porém, como o superman, às vezes, a criptonita verde está instalada em nosso ser, perdemos essa leveza e voltamos, paradoxalmente, para a nossa condição de outrora: o peso. A gravidade, portanto, nos domina.

O que escolher: o peso ou a leveza?

Tudo (Não importa a circunstancia, peso ou leveza) pode-se acabar a qualquer momento. Eis aí, afinal, a harmonia de contrários que não cessam de se transformar constantemente, eis aí, finalmente, o que Milan Kundera chamou , em seu romance, de “A insustentável leveza do ser”.

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